O contato pele a pele e o impacto na amamentação


Ao nascer, o bebê tem o reflexo de busca e sucção que será ativado quando em contato com o corpo de sua mãe, assim é iniciada a primeira mamada; aquele corpo materno, com cheiros e sons já conhecidos pelo bebê, irá estimular o início da lactação. Geralmente, um bebê saudável começa a sugar entre 10-30 minutos após o nascimento, para tanto, é preciso que o ambiente esteja favorável para isso, ou seja, que a mãe possa estar numa posição confortável, pele a pele com seu filho, e que não tenha usado produtos que tirem o cheiro natural de sua pele, pois o bebê irá alcançar a mama da mãe através do cheiro e pela localização do mamilo e aréola que ficaram mais escuros durante a gestação.

O parto e a amamentação nos conectam com aspectos naturais do ser humano, os quais acabamos nos distanciando com a evolução cultural, mas que não deixaram de ser essenciais, portanto a necessidade de resgatar tais aspectos torna-se tão evidente na atualidade. O nascimento é a primeira grande separação entre mãe e filho, e o corpo materno é o único lugar que pode acalentar bem um bebê recém-nascido, por conter elementos já conhecidos por ele (cheiro, voz, ritmo cardíaco...).

A primeira hora de vida do bebê é conhecida como Hora Dourada ("Golden Hour"). É o momento no qual os níveis de ocitocina atigem seu pico, e o contato entre mãe e bebê fará toda diferença na construção do vinculo e amamentação. O contato pele a pele com o bebê já faz parte da nova diretriz brasileira de humanização do parto e precisa ser colocada em prática pelos profissionais de saúde. Estudos demonstram que bebês que tiveram contato pele a pele com as mães nos primeiro 20 minutos mamaram de forma exclusiva por mais tempo e também desmamaram mais tarde do que aqueles que não tiveram esse contato inicial (Mikiel-Kostyra, 2002).

As intervenções feitas no bebê no momento de seu nascimento (identificação, observações, apgar...) devem ser realizadas no colo da mãe. Intervenções desnecessárias (aspiração gástrica, pesagem, medida...), e a separação da mãe, eleva o nível de cortisol dos bebês, provocando o stress do nascimento, muitas destas intervenções podem ser feitas após duas horas. Assim, o ambiente de nascimento, as intervenções medicamentosas e a via de nascimento, podem ou não promover esse primeiro contato corporal entre mãe e filho, o qual será de extrema relevância para o sucesso da lactação. Quando mãe e bebê são separados nas primeiras horas de vida, o reflexo de sucção do bebê pode ser prejudicado e implicar prejuízos no aleitamento, nesses casos, o contato mais próximo com o corpo materno precisa ser constante para que o bebê recupere aquilo que foi perdido.

O contato pele a pele entre corpo materno e corpo do bebê é fundamental para a amamentação. Para que o leite da mãe possa fluir é preciso evitar separações, ou seja, o bebê deve ficar nos braços maternos ou o mais próximo possível. É sempre bom lembrar que o bebê se alimenta não só do leite, mas do contato corporal com a mãe, portanto, é preciso ter disponibilidade emocional para amamentar e se entregar a essa relação, mas quando a mulher não encontra apoio emocional ou passa por momento de stress, a consequência pode ser a dificuldade em amamentar. Não há evidência científica que justifique a separação pele a pele da mãe e do bebê no momento de nascimento, essa prática é extremamente maléfica para o sucesso da amamentação, saúde física e emocional dos envolvidos.

*Veja o video sobre uma pesquisa que demonstra o arraste do recém-nascido até a mama de sua mãe, quando colocado em contato pele a pele com a mesma. Uma comparação entre grupos de bebês que foram separados da mãe logo após o nascimento e aqueles que tiveram contato imediato pele a pele:

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