Método Canguru: a confirmação da importância do contato pele a pele


Durante 4 semanas, conversamos no blog sobre a importância do contato pele a pele para mãe e o bebê, sob a visão de diversos profissionais. Hoje, vamos continuar a série falando um pouco sobre o Método Canguru. Eu fui apresentada a este método quando ainda estava na faculdade, mas durante o período de residência é que entendi a real necessidade e intensidade dele, principalmente após participar do curso de capacitação. Vamos conhecer um pouco sobre ele?

O Método Canguru é um modelo de atenção ao recém-nascido de baixo peso (aqueles que nascem com menos de 2.500 gramas), sendo ele prematuro ou não. No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) lançou esta política de saúde através de uma norma no ano 2000, que foi atualizada em 2007, para apoiar a implantação do método nas unidades de saúde, e capacitar às equipes para uma assistência mais humanizada a esta população. Apesar de muito conhecido como mãe canguru, a forma correta de ser chamado é método canguru, pois apesar de ser preferencialmente usado com as mães, o método pode ser realizado pelo pai, irmãos, avós ou outros familiares.

Estas fotos tiveram milhares de compartilhamentos e curtidas nas redes sociais, mostrando que outros membros da família também podem assumir a realização do método. Com certeza, muitas pessoas devem ter ficado curiosas a respeito dele. Vamos conhecer um pouco da história do Método Canguru?


Ele foi idealizado na Colômbia, em 1979,por médicos que queriam melhorar os cuidados aos recém-nascidos prematuros, na tentativa de baratear os custos e promover contato pele a pele precoce entre a mãe e o bebê, maior vínculo afetivo, melhor estabilidade da temperatura e desenvolvimento. Eles acreditavam que o método aceleraria a alta hospitalar e haveria um acompanhamento ambulatorial, e orientação para que as crianças continuassem na “posição canguru” em casa. Em todo o mundo, o método recebeu adeptos e opositores, pois os que tinham “sede” de tecnologia acreditavam que era um método para países de baixa renda, e não entendiam o quão necessário é esse contato precoce e mantido, com a mãe, para os sistemas imaturos dos bebês prematuros e/ou baixo peso. E hoje, mesmo após a divulgação de estudos com resultados bastante favoráveis ao método, ainda existem unidades de saúde que não o utilizam.

O método completo, preconizado pelo MS, é composto de 3 fases. A fase 1 é realizada ainda no ambiente da UTI Neonatal, e para ela, os pais devem ter acesso livre à un

Algumas das vantagens do método canguru:

  • favorece o vínculo mãe-filho;

  • reduz o tempo de separação mãe-filho;

  • melhora a qualidade do desenvolvimento neurocomportamental e psico-afetivo do bebê;

  • estimula o aleitamento materno, com início precoce, maior frequência e duração;

  • permite o controle adequado da temperatura;

  • favorece o estímulo sensorial adequado;

  • reduz o risco de infecção hospitalar;

  • reduz a dor e o estresse;

  • possibilita maior confiança e competência das famílias nos cuidados com o bebê.

Como o bebê deve ser posicionado?

O bebê deve ser colocado em contato pele a pele com o familiar, entre as mamas, de frente, em posição vertical ou diagnonal, a cabeça deve estar virada para um dos lados e os braços e pernas devem estar próximos ao corpo do bebê. O bebê deve estar de fralda, pode usar touca e meias, com resto do corpo em contato com a pele de quem o carrega, não deve haver tecido entre eles, somente uma faixa de algodão moldável, que envolverá os dois, para que os braços de quem o segura estejam livres. O calor da pele do familiar irá aquecer o bebê, fornecer uma experiência de tato agradável e o seu cheiro. Ele ouvirá os ruídos dos batimentos cardíacos e sentirá os movimentos enquanto quem o carrega caminha, respira e fala.

E, porque é importante abordar este tema?

Anualmente, nascem cerca de 20 milhões de bebês prematuros ou de baixo peso em todo o mundo. Nenhuma família deseja ou idealiza o nascimento de uma criança nestas condições, sendo necessário que os pais possam ter acesso a estas informações e consigam transformar esse momento no menos estressante possível. Também é de extrema importância que os profissionais que trabalham com esses bebês estejam capacitados e atentos para as necessidades do bebê e da família. Ainda hoje, é possível observar resistência em alguns hospitais para o uso da técnica, além da falta de conhecimento de muitos profissionais para o seu uso correto. A queixa de muitas famílias que tiveram bebês com necessidade de internamento em UTI Neonatal é sobre os cuidados após a alta. Quando oferecemos a possibilidade deste contato precoce e intenso, os profissionais se tornam hábeis em ouvir a família, dar confiança e apoio, além de possibilitar o aprendizado das mesmas em reconhecer os sinais que os bebês dão. E, quando as famílias estão empoderadas, confiantes e seguras, ficam mais propensas a dar continuidade à ligação afetiva, fortalecer os vínculos, manter a amamentação e estimular o bebê para um desenvolvimento saudável e adequado.

E você, usou o método canguru ou conhece alguém que passou por esta situação? Deu vontade de usá-lo? Compartilhe sua experiência e foto conosco. Se restou alguma dúvida, é só deixar nos comentários. No próximo texto informaremos sobre os carregadores de pano e como esse contato pode ser benéfico também para bebês maiores. Até lá!

Referência:

Atenção humanizada ao recém –nascido de baixo peso – Método Canguru. Manual Técnico. 2ª edição. 2009. Ministério da Saúde.

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