Qual a real necessidade de realizar frenotomia no bebê?


O frênulo da língua é uma prega de membrana mucosa, com origem na região inferior da língua e inserção no assoalho da cavidade oral. Essa membrana é rígida, portanto não se modifica com exercícios ou alongamentos.

Um profissional capacitado em avaliar o frênulo de língua encontrará alterações em apenas 0,88 a 12,8% dos casos, dependendo da literatura, com ocorrência maior no sexo feminino (três vezes mais).

Essa porcentagem de alterações de frênulo não significa, necessariamente, que a cirurgia é indicada. Existem alguns tipos de alterações, nomeadas de acordo com alguns autores.

Podemos classificar as alterações do frênulo da língua em: mucoso curto, mucoso longo de inserção mandibular e hipertrófico inserido na crista do rebordo alveolar. Se ele for mucoso curto, por exemplo, mas os movimentos da língua não estão restringidos, o bebê consegue mamar sem problemas, está tudo bem.

A criança com alteração de frênulo lingual pode

Quando um bebê apresenta dificuldades para mamar no peito, inicialmente se investiga cavidade oral (inclusive o frênulo de língua), reflexos orais, sucção, postura de língua, ritmo, pausas, grupos de sucção, coordenação sucção, deglutição e respiração, postura e pega da aréola, técnica da amamentação.

A grande maioria das dificuldades na amamentação se devem a alterações motoras orais (retração de língua, redução de abertura oral, alterações de movimentos de língua, rigidez de língua, entre outros) ou problemas na técnica da amamentação (pega, posição, uso de intermediários de silicone, conchas, chupeta).

O profissional deve ser capacitado em amamentação e resolução dos problemas iniciais, que são comuns, além de dominar a técnica de avaliação do frênulo de língua, pois apenas uma avaliação, isolada, muitas vezes pode levar ao erro. É importante acompanhar a dupla mãe-bebê durante a internação para verificar a resolução dos problemas.

Ao se observar a anquiloglossia ou presença de frênulo curto, o acompanhamento é fundamental para a definição da necessidade ou não de cirurgia. Muitas vezes o frênulo não impede os movimentos da língua e o bebê consegue a amamentação com sucesso se contar com apoio especializado.

Em alguns casos, como a literatura indica (0,88 a 12,8% dos casos), não haverá melhora da pega e amamentação. Em geral, a manutenção das fissuras mamilares, mesmo após correção de pega, posição, técnica e resolução das disfunções orais, pode indicar a necessidade de frenotomia.

Se você é mãe e está na dúvida, peça uma segunda opinião. Se você amamenta sem dor, se não há fissuras, se o bebê pega boa parte da aréola, mama e fica satisfeito, está saudável, provavelmente pode apresentar alguma alteração do frênulo, porém não é necessária cirurgia, pois não há limitação dos movimentos da língua. Muitas mães não tem dificuldade para amamentar, não apresentam fissuras mamilares, o bebê apresenta boa pega e sucção, porém há indicação de cirurgia e aí é importante questionar o profissional sobre essa conduta.

A frenotomia, se bem indicada e realizada, auxilia mãe e bebê na amamentação e, posteriormente, a criança e adulto na realização das demais funções. Se mal indicada, é considerada uma iatrogenia, ou seja, efeito adverso ou complicação causadas por ou resultantes de um tratamento.

Participe da avaliação do seu filho. Pergunte, questione, peça ajuda na amamentação! Seu bebê agradece.

Fonoaudióloga Cristiane Gomes: Fonoaudióloga graduada na UNESP - Marília em 1995 Mestre em Educação pela UNESP - Marília Doutora em Pediatria pela UNESP - Botucatu Pós-Doutorada em Saúde Coletiva pela UEL - Londrina Especialista em Motricidade Orofacial pelo CFFa Docente do curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário de Maringá - CESUMAR Docente do Mestrado em Promoção da Saúde do Centro Universitário de Maringá - CESUMAR Consultório: Centro Médico São Francisco Rua Dr. Luiz Teixeira Mendes, 1888 sala 8 Fone: 3024-2818 ou 9118-6073 e-mail: fono.crisgomes@hotmail.com Atendimento clínico, hospitalar e domiciliar - disfunções orais - dificuldades no aleitamento materno - retirada de hábitos orais deletérios (chupetas, mamadeiras) - uso do copo - extração de leite materno - orientações para alimentação complementar e desmame - atendimento a prematuros, bebês com baixo peso e síndromes.


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