Sono e Amamentação.


No texto anterior a Dra Kelly falou sobre o sono do bebê, como eles possuem padrões e ciclos diferentes do sono dos adultos. Ela nos explicou que o sono do bebê possui apenas dois estados (ativo e tranquilo) e dura em média 50-90 minutos nos primeiros nove meses de vida. A literatura também nos indica que a consolidação do sono noturno só ocorre por volta dos 3 anos e a transição para o padrão de sono de um adulto ocorre por volta dos 5 anos.

Iniciei fazendo esse breve resumo porque o sono tem uma forte relação com a amamentação. No primeiro dia de vida, a capacidade gástrica do recém-nascido é limitada, cerca de 5-7ml no primeiro dia, o que faz com que ele precise mamar com mais frequência para se nutrir e estimular a produção de leite da mãe. Além disso, nos primeiros dias ele está se adaptando a um ambiente bem diferente do qual vivia, assim, é esperado que ele acorde com maior frequência, e entendendo a duração de seu ciclo de sono, compreendemos o motivo dele despertar tantas vezes nos primeiros dias.

Vamos imaginar que você tenha amamentado seu bebê e ele já terminou a mamada sonolento, então você rapidamente o coloca no berço e ele desperta! Provavelmente, ele estava nessa primeira fase do sono, a ativa, que dura cerca de 25 minutos (50% do ciclo) e faz com que ele desperte mais facilmente. Sabendo disso, é mais fácil traçar planos para que o estímulo que fez o bebê dormir permaneça durante esse tempo, ou você tenha mais cuidado com ruídos, luminosidade, e outros estímulos que prejudiquem o início do sono do bebê.

A prolactina, hormônio ligado a produção de leite materno, tem seus níveis mais altos durante a noite/madrugada, portanto a amamentação nesse período é oportuna. Porém, muitos profissionais dizem que bebês com mais de 6 meses não precisam ser amamentado durante a noite, o que não necessariamente vai ocorrer. Também ouvimos bastante que a medida em que o bebê cresce, ele irá dormir mais, entretanto, foi verificado que trata-se de um mito.

“[...] Elias e cols. observaram que os bebês de peito dormem uma média de 6 a 7 horas seguidas aos três meses, mas que a partir dos quatro meses despertam-se e mamam com mais frequência, e o período mais longo de sono contínuo é de 4 horas em média. A maioria dos bebês necessita mamar de noite até os dois anos ou mais, ainda que isso seja muito variável” (González, 2014).

O recomendado, inclusive pela OMS, é que bebês sejam amamentados em livre demanda e de forma exclusiva por 6 meses e continuada até dois anos ou mais. Então não devemos acordar o bebê para mamar? Não precisa, como o nome diz, é livre demanda, o bebê diz quando quer mamar, porém, aqueles bebês que não ganham peso ou perdem peso, precisam ser amamentados com mais frequência, e isso acontece com praticamente todos os bebês nos primeiros dias, então, até que tudo fique estabilizado, é importante ter atenção e não deixar o bebê dormir a noite inteira, até mesmo para poder estimular a produção da mãe.

Muitas vezes o bebê não chega a despertar totalmente para mamar, e se você, mãe, estiver dormindo próximo dele, poderá amamentá-lo rapidamente, sem precisar que ele desperte completamente, assim, ele logo voltará a dormir. Mas se ele dorme longe, precisará despertar completamente e até chorar para que você possa ouví-lo e atender a sua demanda, caso você não o escute, ele pode voltar a dormir e perder uma mamada importante. Muitas mães que amamentam optam pela cama compartilhada por esse motivo (confiram nosso texto sobre cama compartilhada).

Muitos bebês voltam a despertar e mamar mais vezes durante a noite depois que a mãe retorna ao trabalho, talvez numa tentativa de “compensar” o tempo em que estiveram afastados, essa necessidade é um sinal positivo do bebê, e devemos atender e respeitar, para que no futuro ele não apresente problemas por essa falta. “Os bebês não confundem o dia e a noite. Simplesmente, à noite suas mães estão em repouso, ou seja, disponíveis.” (Gutman, 2012).

Outra curiosidade pouco comentada é que, por volta dos dois anos, as crianças voltam a

mamar com mais frequência, inclusive durante a noite, pois elas não buscam só a nutrição física, mas emocional (contato, consolo e segurança), só depois elas voltam a espaçar as mamadas até desmamarem completamente.

Assim, entender esse processo de amamentação e o ciclo de sono dos bebês nos tranquiliza para não pensarmos que o comportamento de nossos filhos é patológico. Mas isso exclui o cansaço de ter que acordar com tanta frequência? Claro que não! Portanto, verifique quem pode ser sua rede de apoio físico e emocional, para criar as melhores estratégias para sua família. E vamos aproveitar para refletir o que estamos exigindo de nossos bebês e o que eles desejam quando despertam!

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