Relatos e Depoimentos

Roda Amamentar

Liziane Rosental Agosto 2015

 

Nossa eterna gratidão a todas vcs da A Mama, q nos acolheram num momento tão frágil. Equipe q com carinho e dedicação divide informações, nos permitindo mergulhar nesse universo tão amplo que é a amamentação. Foram muitos aprendizados e o sentimento certo de que eu iria conseguir amamentar minha pequena. Precisamos de ajuda e as rodas nos encorajou a continuar enfrentando todos desafios que surgiram no nosso caminho. Realizada com minha escolha e nossa conquista. Q vcs continuem fazendo parte de muitas outras histórias Bjos com carinho, Lizi, Math e Lola.

Assessoria em Aleitamento

Sylvia Agosto 2015

 

Obrigada por sua ajuda (Caroline Burgos), você teve fundamental importância nesse processo de Amamentação. Obrigada por não me deixar desistir, obrigada por me ajudar a realizar meu sonho. 

 

 

Assessoria em Aleitamento

Patricia Cerqueira de Brito Agosto 2014

 

Maria tem 8 meses e desde a gestação tive certeza de que queria amamenta-la e tinha uma grande preferência de que ela não tomasse leite complementar - dizia que um sonho era que minha filha saísse do peito para alimentação sólida. E até agora consegui! 

Me preparei de todas as formas possíveis durante a gestação para evitar que minha mama ferisse. Fiz consultas com uma especialista em amamentação e segui suas recomendações para preparar o mamilo pro grande dia! 

Maria pegou o peito de primeira e isto também me ajudou a não ter lesões na mama. 

Até o 6o mês foi exclusivamente amamentada e, quando o dia chegou, recebeu bem a alimentação sólida. 

Compramos copos de treinamento e tínhamos comprado mamadeiras mas, graças a Deus, Maria hoje ingere os líquidos em copos - se adaptou bem ao copo Suzana e agora usamos qualquer copo com formato semelhante: os de cachaça são ótimos. 

Após o 6o mês, o ganho de peso de Maria desacelerou e a pressao pela complementação começou. 
No momento estamos "brigando" com o mundo para mantê-la sem complementação de leite porque ela perdeu peso no último mês. Por que estamos insistindo? Primeiro porque nossa filha está super saudável e visivelmente feliz. Segundo porque somos apoiados por Tarsila que, além do trabalho da consultoria tem se mostrado uma amiga querida que traz sua experiência e empatia ao nosso processo. Terceiro pela abertura da Escola Casa da Infância em se adaptar a uma família que foge do "convencional" (coloco as aspas porque no meu entendimento o convencional deveria ser crianças que mamam e tomam leite materno enquanto sua mãe é capaz de produzir). E também porque existem outras causas para a perda de peso neste mês - entrada e adaptação na escola e nova preparação dos alimentos, resfriado, começou a engatear, 

Enfim, a escolha pela amamentação e principalmente pela não complementação torna-se uma luta diária, como foi a luta na escolha pelo parto natural. Mas acredito que no BRASIL estamos caminhando na direção de nos reencontrarmos com a "normalidade" que nos foi concedida pela natureza. 
Fácil não é: noites perdidas, desafio de ordenhar enquanto tenho que trabalhar e pressão de amigos, conhecidos, profissionais de saúde e familiares se alternam deixando a dúvida no ar. Mas o círculo de colaboração que tenho ao meu redor: Tarsila, Marido, Lea (uma colega de Yoga que vive a mesma situação) e a Escola me ajudam a perseverar na minha vontade. 
Eu acredito que a luta vale à pena hoje e valerá ainda mais no futuro pois de acordo com diversos estudos esta escolha que faço hoje trará mais saúde para Maria quando ela for maior.

Assessoria em Aleitamento

Felícia de Castro Agosto 2014

 

Bem, a amamentação começa com o parto. Ou antes, começa com o desejo de amamentar. Eu sempre tive esse desejo, embora sempre tivesse dúvida (graças a desinformação corrente) se iria conseguir porque minha mãe só tinha me amamentado até os 3 meses. Como meu peito era pequeno como o dela, fiquei com essa ideia na cabeça, que não teria leite ou algo assim... besteira! Uma das primeiras coisas que Marilena, minha GO desmitificou foi isso quando viu o bico de meus seios e falou exultante que eles eram uma maravilha e logo entendi que estava viajando em ter esses pensamentos. Anos com a ideia de que ''não serviria'' para amamentar caíram ali no consultório dela.

O nascimento de Uirá foi cheio de força, oração e respeito. Ele nasceu em casa, na presença do pai e de quatro mulheres especiais. Porém, ele nasceu meio molinho, demorou um pouco para ativar o tônus e para respirar. Demorou para chorar. Ele teve que passar - no meu colo - por uma reanimação e se cogitou o uso de oxigênio. Isso causou um clima de tensão que dispersou um pouco toda aquela forte emoção do milagre do nascer. Depois de um pequeno tempo de minutos fui conduzida da banqueta ao sofá e foi feito aquele coro para que eu ''botasse' ele para mamar. Eu o fiz, mesmo sabendo - tendo estudado mais - que o bebê naturalmente procura o peito, não precisa ''ser botado''. Mas, talvez naquela situação precisasse. Só que ele não quis pegar naquela hora. Era o tempo dele. Eu sentia que ele tava chegando ainda.

Resultado, depois que todas foram embora, dormimos por várias horas, com a recomendação de que tal hora ele tinha que mamar. Mas, não foi fácil. Ele, quando acordou, pegou com força e com uma pega linda, quase perfeita. Sugou com vontade. [Ai, era tudo tão novo...] E não me lembro mais muita coisa...

No dia seguinte, foi uma pediatra à noite vê-lo. Por um triz, já saindo, ela detectou que ele estava com um pouco de febre... Pra que? Segundo dia de nascido, em casa, e lá estávamos nós, no hospital, submetendo nosso filho à furadas e exames de urina... Claro que, por conta de toda desconfiança e preconceito com o parto domiciliar, estavam todos em pânico ao nosso redor. Mas, resumindo, depois de exames e de passar os dias, concluiu-se que era um pouco de desidratação, pois meu leite ainda não tinha descido. Depois que o leite desceu foi fartura e nosso bebê mamou feliz. 

Aí foi minha vez de ter febre. Foram dias difíceis. Estava passando por um pós parto dolorido, apesar de sem grandes lacerações, entendendo o processo de produção de leite, e ao mesmo tempo tendo febres altas e tendo que ter forças para cuidar de meu filho. Até que se descobriu que aquela febre não era de leite e sim por causa de um resto de membrana de placenta que ficou em mim. Aí foi minha segunda provação como mãe. Teria que me afastar durante quatro horas do meu filho e ele ainda teria que tomar um pouco de LA. Me matou! Me arrasou. Dar um beijo no meu filho e sair de casa sem ele em meus braços foi uma das coisas mais terríveis que já vivi. Mas, enfim, foi rápido e logo eu estava com ele de novo. Tirei um pouco de leite por causa dos remédios e algumas horas depois ele pôde voltar a mamar. Nessa noite/madrugada foram 90 ml de LA que ainda me doem um pouco. Ele havia nascido há apenas uma semana e eu ainda não tinha familiaridade com o amamentar para tirar leite com facilidade e deixar para ele. Hoje isso seria muito fácil. Por isso defendo que as mulheres realmente precisam ser assessoradas nas primeiras semanas por uma doula, por uma consultora em amamentação, por uma enfermeira, ou mesmo pelas mulheres da família, se houver identificação nos modos de maternar. Não dá muito para adivinhar coisas básicas como pega, ordenha, posições, etc.

A partir daí, não lembro a ordem dos acontecimentos, mas tive alguns probleminhas que não tenho certeza o que era, mas doía. Doía muito. Tiveram episódios horríveis. Madrugadas com o bebe mamando de um lado e meu companheiro tentando massagear e ordenhar o outro seio e eu me contorcendo de dor. Nas primeiras semanas tive a orientação maravilhosa da enfermeira Suzana Montenegro que acompanhou o parto. E depois tive, em dois momentos diferentes de problemas, a presença atenciosa e carinhosa de Tarsila, consultora em amamentação. Foi o que salvou. Basicamente eu precisava massagear e aprender a ordenhar (em um momento que tudo o que queremos é dormir). 

Depois, um outro momento forte, foi o da Introdução Alimentar com 6 meses. Parece bobagem, mas como mãe, senti profundamente o início da separação do meu filho. E é assim mesmo... dia a dia eles vão indo embora... vão ganhando autonomia e vão precisando menos da gente. Para completar, com 8 meses, fomos na nossa pediatra e ela colocou que a amamentação não era mais para ser Livre Demanda e que a partir dali se começaria o gradual desmame até os dois anos. Me matou de novo. Gosto muito dessa médica, mas ouvir essas palavras dela me deixaram confusa. Fiquei mexida vários dias, porque no fundo, apesar de confiar nela, não concordava de jeito nenhum. Acredito que o desmame vai acontecer por parte da criança também, não sou eu que vou colocar horários e limites de repente porque falaram que está na hora. É uma relação de amor, de duas pessoas, construiremos e finalizaremos juntos. É tão óbvio. Aquilo representou uma desestrutura tão grande que meu filho teve uma virose e regrediu no processo da IA. Exigiu mamar livremente. Ele que estava empolgado com os alimentos entrou numa fase (mesmo passada a virose) de não querer comer e assim ele ganhava ''passe livre'' para mamar muito, toda hora, quantas mil vezes quisesse (isso porque eu ensaiei muito de leve coordenar as mamadas. Tipo, distrair ele para não querer mamar aquela hora, para poder comer a comida... viagem total! Ainda bem que foram só alguns dias). É uma loucura forçar processos quando as pessoas não estão prontas. É uma loucura querer controlar processos que são tão naturais. Para completar mais ainda, nessa mesma época, meu filho começou a acordar muito de noite, mas muito mesmo, às vezes de hora em hora, e peito, peito, , peito, peito, peito... noites difíceis. E começou um coro de que meu filho estava com fome (estava acordando porque estava com fome! Ou seja, meu leite e nada era a mesma coisa!) e eu passei dias com essa dúvida plantada em mim, a ponto de começar a achar que minha produção de leite estava caindo!!! Estava achando mesmo! Surto total. Mas já voltei para o eixo do que acredito, para a escuta dos instintos, e principalmente para a conexão com meu filho, o que sentimos, o que queremos, nosso tempo.

Olha, temos que fazer um esforço para NÃO ouvir os outros. Digo esforço, porque sensíveis como estamos, as falas alheias acabam ganhando algum poder.

E assim estamos entregue ao amor total e leite fluindo feliz. Relaxei. Amamentar é uma troca de energia indescritível. Um momento profundo de união. Uma doação e uma entrega desmedida. A sensação forte da mamífera, dos fluidos que transbordam, da árvore entrando na terra, de seiva circulando, da natureza viva, da vida viva.

 

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